Morin

Ação

A idéia dos atos (Moles, 1974), das idéias (Vickers, 1968), do espírito (Bateson, 1972) já foi formulada. É nesses domínios, mas num sentido diferente, que eu vou esboçar aqui um princípio de auto-eco-interpretação das ações, das idéias, das obras.
Nós já encontramos por várias vezes o paradoxo da auto-eco-finalidade: as ações com finalidades ‘egoístas’ se engrenam em interretroações, as quais desempenham um papel organizador num conjunto onde elas se integram, e finalmente, vistas sob um ângulo deste conjunto, as ações tomam um sentido diferente, até mesmo oposta, daquele que elas se propunham no início. Esta proposição geral é válida para qualquer inciativa humana voluntária, uma vez que ela se introduz de maneira aleatória num jogo extraordinariamente múltiplo e complexo de inter-retroações cujo ator, na mairia das vezes não tem a menor suspeita. Assim sendo, numerosas intervenções tecno-químicas na agricultura suscitaram tanto efeitos como resultados contrários correspondentes ao príncipio a que se propunham. Como já presenciamos, os pesticidas massacraram não somente os incetos perniciosos a uma determinada cultura, mas também os insetos úteis, necessários ao equilíbrio biológico e à polinisação; (...)
(...) A ecologia da ação nos convida, não apenas a nos desfazermos da pseudo-ética maniqueísta, mas a levar em conta os ‘enormes riscos da ação’”(Arendt, 1961). Esses riscos externos tornam-se riscos internos, visto que a ação pode derivar até inverter sua finalidade sem que o autor tenha consciência, continuando a agir, com toda a boa vontade, no sentido contrário ao seu desejo. Ao contrário, se nós nos abrirmos às idéias éconológicas de inter-retroações, de acasos, de riscos, nós podemos enfim nos concentrar no problema central da ação, que é a estratégia, e a ecologia da ação poderá enriquecer a etologia da ação.
O Método v.2 – A vida da vida. Édtions du Seuil, 1980. Tradução livre de Nurimar Falci, 2001. São Paulo.

“Mas a incerteza permanece. A incerteza está, ao mesmo tempo, na natureza do real e na ecologia da ação. A ecologia da ação política, desde que é lançada, escapa à vontade e à intenção de seus iniciadores e que seus efeitos a longo prazo são imprevisíveis. A necessidade de diagnóstico, que pode ser errôneo, e a necessidade de tomar uma decisão nos levam ao princípio da incerteza política. A resposta a esse desafio está na aposta, conscientemente assumida com suas chances e seus riscos, e em uma estratégia que possa modificar-se e se reformar durante a ação. Permanentemente, somos obrigados a escolher e a arriscar. Evidentemente, a incerteza permanece na natureza do risco e na natureza da estratégia.
A ação política só é maniqueísta em seus níveis mais baixos e o maniqueísmo tem como efeito camuflar a eventualidade e a incerteza da ação. Ora, é preciso se conscientizar, enfim, de que a política é a arte do incerto. O que nos leva a um principio generalizado de incerteza política.”
Meus demônios, Bertrand Brasil, 1997.

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