Morin

Barbárie

“Há sofrimentos humanos que resultam de cataclismos naturais, secas, inundações, escassez de alimentos. Outros resultam de formas antigas de barbárie que não perderam a virulência.
(...) Walter Benjamin viu claramente que havia barbárie na origem das grandes civilizações. Freud viu claramente que a civilização, longe de anular a barbárie recalcando-a em seus subterrâneos, prepara novas erupções dela. É preciso ver hoje que a civilização tecnocientífica, embora sendo civilização, produz uma barbárie que lhe é própria.
“(...) É exatamente em nossa fase damocleana que aparecem as manifestações múltiplas, em numerosos pontos do Globo, de uma grande barbárie nascida da aliança entre as forma antigas e sempre virulentas de barbárie (fanatismos, crueldades, desprezos, ódios, alimentados mais do que nunca por religiões, racismos, nacionalismos, ideologias) e as formas novas, anônimas, geladas, burocráticas, tecnocientíficas de barbárie que se desenvolveram em nosso século. A aliança com formas diversas entre as duas barbáries, seladas em Kolyma. Auschwitz e Hiroshima, doravante tornou-se universal, e é ela que ameaça a humanidade em sua sobrevivência e seu devir.”
Anne Brigitte Kern, Terra-Pátria. Porto Alegre, Editora Sulina, 1995

“A barbárie está sempre presente e nos ameaça de novo, sobretudo essa velha barbárie de destruição, ódio que é ligado a uma barbárie nova que nasceu na nossa civilização, a da técnica, do cálculo, que ignora os sentimentos e a vida.”
Dos Demônios: Atelier ao vivo do pensamento de Edgar Morin. 28 e 29 de agosto de 2000, Sesc São Paulo.

“Sábado, 18 de junho de 1994 – No metro, leio o relatório de Alain Vidal-Naquet e tomo nota destas mensagens: ‘Os acontecimentos trágicos da Bósnia-Herzegovina, as crises que muitas regiões ainda da África, da Ásia e da América Latina atravessam, não devem fazer esquecer que o número das vítimas silenciosas da pobreza e da subnutrição no mundo ultrapassa em larga escala o número das vítimas étnicas e fratricidas, sobre as quais o nosso olhar é atraído todos os dias’.
“O contexto político e econômico, contrariamente àquilo que se poderia esperar, não melhorou como o fim da guerra fria(...) Pode dizer-se até que o contexto global se deteriorou, deixando lugar a conflitos selvagens, para os quais a comunidade internacional não estava preparada e que demonstraram a fragilidade das civilizações de países supostamente desenvolvidos (...).
Um ano sísifo. Diário de final de século. Portugal, Publicações Europa América, 1998.

“Há diversas barbáries: uma barbárie vinda do fundo dos tempos e que se manifesta pelo ódio, pelo massacre, pelo desprezo, pela humilhação: uma barbárie anônima, destruidora de humanidade, de responsabilidade e de convivência, que se desenvolve com a extensão do mundo tecnoburocrático; uma barbárie igualmente destruidora de humanidade que se desenvolve com a extensão do lucro em todas as áreas da ‘marketização’ de todas as coisas, uma barbárie propriamente política que atingiu um apogeu contemporâneo com o totalitarismo. Esta última barbárie está adormecida, mas pode renascer sob novas formas. As outras barbáries estão em plena atividade e estão interassociadas. A resistência torna-se, assim, um dever permanente do intelectual.”
Meus Demônios, Bertrand Brasil, 1997.

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