Morin

Civilização

 “Nossa necessidade de civilização inclui a necessidade de uma civilização da mente. 
Ciência com Consciência, Bertrand Brasil, 1996.

“Uma civilização  ao ser definida pelo conjunto de seus constituintes materiais, técnicos, cognitivos, científicos, suas carências e suas perversões são tanto mais difíceis de serem compreendidas visto não  sabermos efetivamente que os confortos, o bem-estar, a elevação do nível de vida, o aumento da duração de vida, as proteções sociais, os progressos de higiene, as liberdades, os lazeres da vida privada, os banheiros, as geladeiras, televisões, TGV, aviões são conquistas da nossa civilização aspiradas por aqueles que são desprovidos.
Nós vemos os excluídos, as periferias contaminadas, os guetos, os bidonvilles, as áreas de insegurança nas nossas cidades mais modernas, e doravante os desempregados, mas acreditamos que estejam ainda, temporariamente marginalizados; acreditamos que nossa civilização poderá progressivamente incluí-los, e não imaginamos que eles sofram de maneira intensificada as conseqüências desta civilização. De todas as maneiras, cada civilização comporta zonas marginais, de anomia, seus sub-solos de violência, délinqüência ou crime, e podemos pensar que se trata de um fenômeno sociológico de caráter geral, e não de um problema específico da nossa civilização civilizada e urbanizada.
(...) A visão complexa não pode ocultar a gravidade dos problemas e as ameaças nascidas da nossa civilização. Em todos os lugares os progressos das ciências, das técnicas, da eoconomia, da urbanização, da burocracia e até do individualismo, que pareciam ser ao mesmo tempo os motores e os efeitos de um progresso histórico generalizado, revelam suas ambivalências.
(...) Desse modo, o problema da nossa civilização é de uma extrema complexidade, de um lado porque esta civilização comporta ao mesmo tempo traços excepcionalmente positivos e traços excepcionalmente negativos, dos quais não podermos prever quais se tornarão predominantes; por outro lado porque ela constitui um conjunto inter-relacionado em círculo, onde cada elemento é ao mesmo tempo produto e produtor, causa e efeito, e onde não podemos isolar um determinante, em última instância, que permitiria encontrar uma palavra-chave para explicar tudo isso, e além de encontrar facilmente uma solução simples.
Consequentemente, aquilo que está em causa ultrapassa a nossa idéia de modernidade; é ao mesmo tempo nossa idéia de civilização e nossa idéia de desenvolvimento.”
Edgar Morin & Sami Nair, Uma política de civilização, Arléa, 1997, Paris, Tradução livre de Nurimar Falci, São Paulo, 2001.

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