Morin

Complexidade

“Esse reconhecimento da complexidade nos faz não elucidar, mas elidir os problemas que ela coloca: dizer complexo é confessar a dificuldade de descrever, de explicar, é exprimir sua confusão diante de um objeto que comporta traços diversos, excesso de multiplicidade e de indistinção interna. Os sinônimos decomplexo são, segundo o dicionário, ‘árduo’, difícil, espinhoso, embaraçoso, embrulhado, confuso, enrolado, entrelaçado, indecifrável, obscuro, penoso. A palavra complexidade exprime ao mesmo tempo confusão da coisa designada e embaraço do locutor, sua incerteza para determinar, esclarecer, definir e, finalmente sua impossibilidade de fazê-lo. O uso banal da palavra ‘complexidade’ significa  quando muito ‘isso não é simples’, isso não está claro, tudo não é branco nem preto, não se pode confiar nas aparências, existem dúvidas, nós não sabemos bem.’ A palavra complexidade é finalmente uma palavra em que o demasiado pleno se faz uma palavra vazia. Como ela é cada vez mais empregada, seu vazio es espalha cada vez mais.
Existe portanto, um desafio da complexidade. Ele se encontra em todo o conhecimento, cotidiano, político, filosófico, e de agora em diante, de forma aguçada, no conhecimento científico. Ele transborda na ação e na ética.”
Edgar Morin/Jean–Louis LeMoigne. A Inteligência da Complexidade. Editora Fundação Peirópolis, 2000, São Paulo.

“(..) tive uma estada extremamente rica na Califórnia, não somente  porque tive contato com estudantes mas aprendi muitas coisas que estavam fora do meu saber. Fui apresentado à teoria dos sistemas, à teoria de Gregory Bateson, à cibernética e a todo um desenvolvimento intelectual que me deu idéias que seriam essenciais para mim, até chegar à idéia da auto-organização e da complexidade.”
Dos Demônios: atelier ao vivo do pensamento de Edgar Morin. Sesc São Paulo, 28 e 29 de agosto 2000.

“É este o núcleo da minha complexidade, que sempre me influenciou, até a emergência do pensamento complexo. Minha ausência de imprinting, meu neomarranismo, minhas experiências de vida, intelectual, política e pessoal, tudo isso me serviu para educar e alimentar minha própria complexidade de pensamento e para reconhecer e enfrentar a complexidade da vida e do mundo. Tenho a impressão de que meu senso da complexidade surge quase instintivamente de meu senso de contradição, de meu senso de incerteza, de meu senso de tempo, das evoluções, da história, dos acontecimentos, dos acidentes e bifurcações, da auto-observação, de meu senso de multidimensionalidade, de minha aversão aos maniqueísmos, e isto em todas as áreas, seja filosófica, científica, política, seja da vida cotidiana...
A complexidade não é tudo, não é a totalidade do real, mas é o que melhor pode, ao mesmo tempo, se abrir ao inteligível e revelar o inexplicável.
(...) Meu sentido das verdades contrárias e minha recusa das verdades isoladas suscitaram os princípios de um pensamento complexo, isto é, de um pensamento que relaciona o que, por origens diversas e múltiplas, forma um tecido único e inseparável: complexus.”
Meus demônios. Bertrand Brasil, 1997.

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