Morin

Conhecimento

“Entendamo-nos: eu não procuro aqui nem o conhecimento geral nem a teoria unitária. É preciso ao contrário, e por princípio, recusar um conhecimento geral: este escamoteia sempre as dificuldades do conhecimento, ou seja, a resistência que o real se opõe à idéia: ela é sempre abstrata, pobre,  'ideológica', ela é sempre simplificadora. Além do mais, a teoria unitária, para evitar a disjunção entre os saberes separados, obedece a uma super simplificação redutora, colocando todo o universo numa única fórmula lógica. De fato, a pobreza de todas as tentativas unitárias de todas as respostas globais, confirma a ciência disciplinar na resignação do luto. A escolha não está portanto entre o saber particular, preciso, limitado, e a idéia geral abstrata. Ela está entre o luto e pesquisa de um método que possa articular aquilo que é separável e religar aquilo que está disjunto.”
O Método, t. 1, A natureza da natureza. Éditions du Seuil, 1977. Tradução livre, Nurimar Falci, São Paulo, 2001.

“Acredito que o dinamismo do conhecimento científico sustenta um primeiro motor, o da curiosidade inesgotável, inesgotável porque um conhecimento uma descoberta, a resolução de um enigma faz surgir novos enigmas, novos mistérios. A aventura do conhecimento é no stop, porque, quanto mais se sabe, menos se sabe. Não são coisas subtrativas. Quanto mais sábio, mais ignorante. Essa aprendizagem da nossa ignorância é positiva, já que nos tornamos conscientes da ignorância de que éramos inconscientes. Portanto, existe um dinamismo que está no seu próprio movimento. O conhecimento do tipo científico jamais encontrará um limite. O limite talvez possa ser encontrado num conhecimento do tipo mítico ou do tipo religioso, no qual, enfim, tenha-se contato com o real. No caso científico, é a ilusão que faz com que um teórico possa ver finalmente onde está a chave do universo, a teoria unitária. Mas é ele mesmo que a terá e não os outros cientistas que apresentam outras teorias.”
Edgar Morin /Jean-Louis LeMoigne – A Inteligência da Complexidade. Editora Fundação Peirópolis, São Paulo, 2001.

“O conhecimento complexo não tem término, e isto não apenas porque ele é inacabado e inacabável, mas também porque ele chega por si só ao desconhecimento.
Atrás da complexidade, há o indizível e o inconcebível. Sob os conceitos, há o mundo. Sob o mundo?”
Meus demônios, Bertrand Brasil, 1997.

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