Morin

Crueldade

“Nascida sobre um minúsculo planeta no seio de uma violência extrema de tormentas, erupções e tremores de terra, a vida, fruto de associações entre miríades de macromolécula, luta cruelmente contra a crueldade do mundo e resiste com crueldade à crueldade da vida. Todo ser vivo mata e comer ser vivo.
A crueldade é constitutiva do universo; ela é o preço a ser pago pela grande solidariedade da biosfera, não pode ser eliminada da vida humana. Nascemos na crueldade do mundo e da vida, ao que acrescentamos a crueldade do ser humano e a crueldade da sociedade humana. Os recém-nascidos chegam ao mundo gritando de dor. Os animais dotados de sistemas nervosos sofrem, e, talvez, também os vegetais, mas são os seres humanos que adquiriram as maiores aptidões ao sofrimento ao adquirirem as maiores aptidões à alegria. A crueldade do mundo é sentida mais viva e violentamente pelas criaturas de carne, de alma e de espírito, que podem sofrer, ao mesmo tempo, do sofrimento carnal, do sofrimento da alma e do sofrimento espiritual, e que, pelo espírito, podem conceber a crueldade do mundo e se horrorizar com ela.”
Meus Demônios. Bertrand Brasil, 1997. 

“Segunda-Feira, 29 janvier 1996 – Libé: dois recentes estudos estimam um milhão e meio a dois milhões de vítimas  do auto-genocídio cambogiano.”
Chorar, Amar, Rir, Comprender. 1er. jan 1995 – 31 jan 1996, Arléa, Paris. Tradução livre Nurimar Falci, 2001.

“Sábado, 20 de agosto, 1994 – (...) As imagens de Ruanda encobrem o croque-monsieur: a fronteira do Zaïre sendo fechada, pessoas se lançando ao rio para atravessar do lado zairense, crianças e mulheres, chorando ao serem separadas de seus pais, do outro lado da fronteira, são empurradas com rudeza pelos militares franceses ou pelos guardas zairenses. A chegada dos franceses trouxe conseqüências catastróficas, sua partida terá consequências catastróficas; o fechamento da fronteira tem conseqüências catastróficas. Tudo é somente uma sucessão de catástrofes, e os telespectadores do planeta assistem a esta tragédia louca”.
1994. Um ano sísifo. Jornal do final do século. 2001. Tradução livre Nurimar Falci.

“A França rejeitou os infelizes ciganos, parece que a Itália os guarda. Nenhuma petição, nenhum movimento, os ciganos estão sós, eles não têm lobby, não têm Intelectuais, não têm nação.” 
Chorar, Amar, Rir, Compreender. 1º jan 1995 – 31 jan 1996, Arléa, Paris. Tradução Nurimar Falci, 2001.

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