Morin

Cultura

“O aparecimento da cultura opera uma mudança de órbita na evolução. A espécie humana vai evoluir muito pouco anatomicamente e fisiologicamente. São as culturas que se tornam evolutivas, por meio das inovações, integrações de aquisições, reorganizações; são as técnicas que se desenvolvem; são as crenças, os mitos que mudam; são as sociedades, que a partir de pequenas comunidade arcaicas, metamorfosearam-se em cidades, nações e impérios gigantes. No seio das culturas e das sociedade, os indivíduos evoluíram mentalmente, psicologicamnete, afetivamente.
(...) A cultura é, repetindo, constituída pelo conjunto de hábitos, costumes, práticas, savoir-faire, saberes, regras, normas, proibições, estratégias, crenças, idéias, valores, mitos, que se perpetua de geração em geração, se reproduz em cada indivíduo, gera e regenera a complexidade social. A cultura acumula aquilo que é conservado, transmitido, aprendido, e ela comporta os princípios de aquisição, programas de ação. O primeiro capital humano é a cultura. O ser humano seria sem ela, um primata do mais baixa categoria.
Em cada sociedade, a cultura é  protegida, nutrida, mantida, regenerada, sem o que, ela estaria ameaçada de extinção, de dilapidação, de destruição.
(...) A cultura é aquilo que permite aprender e conhecer, mas ela é também aquilo que impede de aprender e de conhecer, fora de seus imperativos e de suas normas, e existe, desse modo, o antagonismo entre o espírito autônomo e sua cultura.
(...) A cultura é a emergência maior, própria da sociedade humana.
(...) O patrimônio hereditário dos indivíduos está inscrito no código genético; o patrimônio cultural herdado está inscrito inicialmente na memória dos indivíduos (cultura oral), depois escrito nas leis, no direito, nos textos sagrado, na literatura, nas artes. Adquirida por cada geração, a cultura é continuamente regenerada.(...)”
O Método. 5. A humanidade da humanidade. A identidade humana. Éditions du Seuil, Paris, 2001. Tradução livre Nurimar Falci, São Paulo, 2001.

“Assim parti para a vida sem Cultura nem Verdade, somente com a ausência da morta e a presença da morte.
(...) Foi muito por causa de minhas raízes na cultura de rua de Ménilmontant que pude, com um conhecimento simultaneamente do interior e do exterior, fazer L´Esprit du Temps e les Stars. Se eu não tivesse participado do interior das duas culturas, não poderia ter feito meus estudos sobre a cultura da adolescência nem o Journal de Californie.(...).
(...) Minha cultura nutriu-se de minha vida e minha vida nutriu-se da minha cultura.
(...) Formei para mim uma cultura que nunca se fechou, Tentei fazer uma cultura a partir dos problemas de todos, com meus próprios meios e com minha curiosidade. Não por acumulação, mas por diversidade e multifocalidade; não aditivamente, mas procurando os núcleos estratégicos de conhecimento que controlam vastos setores, as articulações que permitem unir o que estava separado, e isto para permitir a cada um, a todos e , antes a mim mesmo, tentar escapar à cegueira fragmentada e à ignorância respeitosa.
(...) Certamente, a cultura só pode ser lacunar e cheia de buracos, inacabada e mutante. Ele deve continuamente integrar o novo ao velho e o velho ao novo.”
Meus Demônios, Bertrand Brasil, 1997.

Escreva sobre Cultura

Digite o resultado da operação matemática abaixo:



Resultado

mais recentes

o que é?

A seção círculo poético é a espinha dorsal deste site. 64 palavras-chave foram selecionadas pela pesquisadora Nurimar Falci, sob orientação de Morin, para proporcionar um acesso inusitado, lúdico e participativo à obra do pensador francês. As palavras são associadas aleatoriamente aos 64 cubos que formam um cubo maior: clique em "índice" para visualizar a disposição espacial das palavras.

Através do "console" (no canto superior direito, abaixo da faixa vermelha) você poderá navegar para as 6 palavras que fazem "fronteira" àquela em que você se encontra.

Leia o texto de Morin, e escreva sobre a palavra-chave que despertar seu interesse...

cima tras dir esq baixo frente
forma