Morin

Demônios

“Elas são complementares, as duas tradições do título de Dostoïevski: os demônios, os possuídos. É preciso ampliar essa duas noções muito além de uma pequena camada historicisada de intelectuais, estendê-las a toda a humanidade. Nós somos habitados por esses instintos inacabados, denominados outrora de tendências, mas essas “tendências” são esruturadas segundo estranhas leis psico-imaginárias; essas formas elementares, ao mesmo tempo físicas vivas e psíquicas, serão nomeadas aqui seja comoelohim (no sentido arcaíco) seja como demônios no sentido grego originário de espíritos, que deve ele próprio ser entendido na sua conotação genética-formadora.
Nós somos habitados e possuídos pelos demônios elementares, os elohim. Esses estruturam nossas personalidades e perturbam as estruturas. Eles nos possuem e estão sob nossa dominação. O ego, face a esses estranhos habitantes, é tanto impotente como dominador. (...)”.
O vivo do Sujeito, 1969, Paris, Éditions du Seuil. Tradução livre Nurimar Falci, 2001, São Paulo.

“Fiquei impressionado com um trabalho de Holton, que designou com o nome de thémata as idéias obsessivas que estimulam a pesquisa e o pensamento dos cientistas. Todo ser humano tem suas thémata. De onde elas vêm? Por que são tão poderosas em nós? Que fazem elas de nós e que fazemos nós delas? Podem ser modificadas, e até transformadas pela experiência de vida? Dediquei-me, então a descobrir as grandes thémata que ocuparam e estimularam meu espírito e me particularizam, sem que eu tenha procurado me particularizar.”(...)
Mas, durante a reflexão, a palavra thémata me pareceu insuficiente: obedecemos a forças poderosas sem saber: os demônios que, como o daimôn de Sócrates, são entidades espirituais ao mesmo tempo interiores e superiores a nós. No Banquete de Platão, Eros é um daimôn, ser intermediário entre o mundo do ser e o mundo do devir. Para Jung, há uma dialética permanente do eu com a sombra, esta camada móvel de alma onde se agitaram os demônios, que nos possuem enquanto não compreendemos que são nossas fontes vivas. No final deste livro, tento reconhecer a que erros meus demônios me conduziram e a que verdades permaneço fiel.”
Meus Demônios, 1997, Bertrand Brasil.

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