Morin

Identidade

“Quem somos nós? É inseparável de onde nós estamos, ou  de onde nós viemos, para aonde nós vamos? Conhecer o humano, não é suprimí-lo do universo mas é aí situá-lo. Já Pascal nos tinha corretamente situado entre dois infinitos, o que foi amplamente confirmado pelo duplo impulso, no século XX, da microfísica e da astrofisica.
(...) Nós aprendemos hoje nosso duplo enraizamento no cosmos físico e na esfera viva. Nós estamos ao mesmo tempo na natureza e fora dela.
(...) O ser humano, mortal, como todo vivente, leva consigo a unidade bioquímica e a unidade genética da vida.
Na efervescente epopéia evolutiva, um ramo da ordem dos primatas começou, há seis milhões de anos, uma nova aventura; aquela da hominização, que, em aceleração há duzentos mil de anos, produziu a humanidade.
(...) Desde então, a humanidade não se reduziu de modo algum à animalidade, mas sem a animalidade não existe a humanidade o homínio se torna plenamente humano quando o conceito de homem comporta uma dupla entrada: uma entrada biofísica, uma entrada psico-sócio-cultural, as duas conduzindo uma à outra.   
(..) O indivíduo humano não pode certamente escapar de seu destino paradoxal: ele é uma pequena partícula, um momento efêmero, um feto, mas ao mesmo tempo ele manifesta em si a plenitude da realidade viva – existência, o ser, a atividade – e, desse modo, contém nele o todo da vida sem deixar de ser uma unidade elementar de vida. Ao mesmo tempo, ele manifesta em si a plenitude  da realidade humana, coma consciência, o pensamento, ao amor, a amizade. Ele contém nele toda a humanidade sem deixar de ser  a unidade elementar da humanidade.
É portanto, porque ele contém o todo assim como a parte no todo, e que ele contém em si não somente as complementariedade da trindade indivíduo/sociedade/espécie mas também os antagonismos e as contradições, que como enunciou Montaigne, cada homem leva consigo a forma inteira da condição humana.”
La Méthode. 5. L´humanité de l´humanité. L´identité humaine. Éditions du Seuil, Novembre, 2001, Paris. Tradução livre de Nurimar Falci, São Paulo, 2001.

“Vivi minha vida com uma verdade e uma identidade incerta.
(...) Na escola, dei-me conta de que minha identidade francesa tinha origem incerta.(...)
Meus pais não  haviam abandonado uma pátria. Haviam abandonado uma cidade, Salõnica, que forjou sua civilização no seio do Império otomano. De origem livornesa, minha família havia recebido a nacionalidade italiana, no século passado, e meus pais estavam em processo de afrancesamento na época do meu nascimento.
Eu me tornei filho da pátria na escola, onde absorvi e integrei a história da França.”
Meus Demônios, Bertrand Brasil, 1998.

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