Morin

Liberdade

(..) A liberdade supõe, ao mesmo tempo, a capacidade cerebral ou intelectual de conceber e fazer escolhas, e a possibilidade de operar essas escolhas dentro do meio exterior. Sem dúvida, há casos em que se pode perder toda a liberdade exterior, estear numa prisão, mas conservar a liberdade intelectual.
O sujeito, pode, eventualmente, dispor de liberdade e exercer liberdades. Mas existe toda uma parte do sujeito que não é apenas dependente, mas submissa. E, de resto, não sabemos realmente quando somos livres.
A cabeça bem–feita, Bertrand Brasil, 2000.

“A complexidade da relação indivíduo, espécie, sociedade, cultura, idéias é a condição da liberdade. Quanto maiores são as complexidades da trindade humana,  maior é a parte da autonomia individual, maiores são as possibilidades de liberdade. (...)
(...) Tentei conceber as possibilidades de liberdades humanas dentro e por meio de suas dependências ecológicas, biológicas, sociais, culturais, históricas. Eu tentei ir além do geneticismo, do culturalismo, do sociologismo, mas integrando o gene, a cultura, a sociedade. Eu quis situar o problema da liberdade na relação autônomia-dependência, possessão–possuidor.”
(...) O tempo de uma vida humana pode estar  totalmente subjugado pela necessidade de sobrevir para viver, ou seja de submeter o trabalho sem ser assegurado de gozar sua vida, senão apenas por pequenos flashes... Desse modo, em vez de sobreviver para viver, vivemos para sobreviver. Viver para sobreviver mata no embrião as mais importantes possibilidades de liberdade: é uma esmagadora maioria de humanos que, não somente no passado histórico, mas ainda atualmente por todos os lugares do globo, só pôde viver para sobreviver, e na sociedade de baixa complexidade, nas piores condições.” 

“O espírito (mind) de um ser humano é ao mesmo tempo a sede das submissões e a sede das liberdades. Ele é a sede das submissões quando ele é prisioneiro de sua herança biológica, de sua herança cultural, dos imprintings, das idéias impostas, de um poder do Supe-Ego imperativo no interior dele próprio.”
O Método. 5. A humanidade da humanidade. A identidade humana. Paris, 2001, Éditions du Seuil, Tradução livre Nurimar Falci, São Paulo, 2001.

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