Morin

Linguagem

“Sexta–feira, 21 de outubro 1994 – Escrevo algumas notas para o debate Europe 1 de amanhã às 13hs no qual devo participar, por telefone, com d´Ormesson, Toubon e um outro convidado, sobre língua francesa : na minha opinião, uma língua regenera-se através de contribuições vindas de baixo (a gíria ou as gírias), do alto os textos de escritores e dos lados (os empréstimos estrangeiros). Se ela se regenera bem por baixo e pelo alto, os empréstimos vindos de lado são positivos e não ameaçam a língua. Uma língua vive por amor. O amor não apenas pela ‘sua’ língua mas também pelas palavras, frases, cadências, etc. Pessoalmente, não sou a favor da proibição dos empréstimos, com a condição que se respeite a disciplina da ortografia, de gramática e de sintaxe que se aprende na escola.
(...) Deixemos viver a nossa língua. Quanto a mim, não há perigo.”
1994, Um ano sísifo. Diário de um final de século. Publicações Europa-AmÉrica, 1998, Portugal.

“Cada língua obedece suas regras próprias de gramática e sintaxe, detém seu próprio vocabulário, que faz sua singularidade, mas essas regras próprias obedecem  a estruturas profundas comuns a todas.
Essa linguagem com dupla articulação, que faz a sua originalidade e sua superioridade sobre as linguagens dos animais, não é absolutamente nova na vida, visto que o código genético dispõe da mesma estrutura. Mas enquanto que aquele faz comunicar as moléculas e as células, nossa língua faz comunicar os espíritos. Ela apresenta uma infinidade de combinações sintáxicas e gramaticais, permite o enriquecimento ilimitado do vocabulário. Surgida nas civilizações históricas, a escrita vai oferecer a possibilidade de uma inscrição além da memória individual e de um crescimento indefinido dos conhecimentos.
(...) Uma língua vive de maneira admirável. As palavras nascem, se locomovem, se enobrecem, se enfraquecem, se pervertem, entram em decadência, perduram (...) A língua vive como uma grande árvore cujas raízes são o âmago da vida social e da vida cerebral cujas folhagens  se expandem no céu das ídéias ou dos mitos, e cujas folhas sussuram em miríades de conversações (...)”
La Méthode. 5. L´humanité de l´humanité. L´identité humaine. Éditions du Seuil, Paris, novembre, 2001. Tradução livre Nurimar Falci, 2001, São Paulo.

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