Morin

Literatura

“A Literatura teria essa superioridade sobre a história e a sociologia, ela considera os indivíduos como inseridos num meio, numa sociedade, numa história pessoal (...) ela trata dos seres enquanto sujeitos, com suas paixões, seus sentimentos, seus amores, todas as coisas que falando do singular, do concreto, das individualidades, são mais facilmente apagadas pela sociologia.” 

 “Meu amor pela leitura veio desde os primeiros anos escolares... Minha paixão pela leitura se exacerbou após a morte da minha mãe, e mergulhei no universo romanesco. Eu lia romances quase sem interrupção  em casa, à mesa durante as refeições, na cama, no metrô, na rua assim como na escola, durante as aulas protegendo-os com um estojo ou escondendo-os em meu colo, nas aulas das primeiras séries do segundo grau. Assim, aprendi literatura no colégio, mas muito mais nos livros que lia escondido do que nas aulas dos professores.”            

“Como não disponho previamente de uma cultura-verdade, parto com um ardor insaciável, através da literatura, para uma vida imaginária onde encontrarei as verdades de minha vida concreta.
Depois dos romances para jovens e ede avenutas históricas ou exóticas vou, a partir dos treze ou quatorze anos – na adolescência, quando as leituras podem marcar profunda e intensamente o ser humano –, descobrir os livros que vão ser mais importantes em minha vida. Um livro importante revela-nos uma verdade ignorada, escondida, profunda, sem forma que trazemos em nós, e causa-nos um duplo encantamento, o da descoberta de nossa própria verdade na descoberta de uma verdade exterior a nós, e o da descoberta de nós mesmos em personagens diferentes de nós.”
Meus Demônios, Bertrand Brasil, 1997.

 “(...) Até uma certa idade, a literatura prepara-nos para a vida. Ela canaliza o movimento entre o real e o imaginário. Aleita os nossos tropismos afetivos. No final da infância, ela nos dota de uma alma... Ele propõe moldes sobe os quais se vestirão nossas tendências individuais, e este vestir, sejam roupas sob medida sejam de confecção, dará forma a nossa personalidade. Ela nos oferece antenas para entrar no mundo. Não quero dizer que ela nos adapta a este mundo: ao contrário, seus fermentos de rejeição e de inadaptação, seu caráter profundamente adolescente contradizem este mundo. Mas contradizem-no dando-nos acesso a ele. Pelo romance e pelo livro, cheguei ao mundo.”
Autocrítica, 1992, Paris, Éditions du Seuil, tradução livre Nurimar Falci, 2001. São Paulo.

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A seção círculo poético é a espinha dorsal deste site. 64 palavras-chave foram selecionadas pela pesquisadora Nurimar Falci, sob orientação de Morin, para proporcionar um acesso inusitado, lúdico e participativo à obra do pensador francês. As palavras são associadas aleatoriamente aos 64 cubos que formam um cubo maior: clique em "índice" para visualizar a disposição espacial das palavras.

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