Morin

Mito

“Quinta-feira, 7 de abril, 1994. (...) Isabel Stengers pratica a autocrítica ocidental: Nós, ocidentais, capturamos o mito, não cremos senão na ciência e na razão, e não temos os meios para compreender as virtudes do mito. É necessário ir mais além. O Ocidente tem, de forma inconsciente, criado novos mitos sobre a forma de idéias-mitos que se esconderam no interior da noção de ciência e da noção de razão: o cientificismo e o racionalismo.”

“Segunda–feira, 25 de abril 1994 – (...) Jantar maravilhoso com Jean-louis. Ele anuncia-nos que uma Lua enorme, ruiva, surge no horizonte, através dos ciprestes. Duas ou três horas mais tarde, no momento de partir, vamos ao terraço: nuvens altas, todas brancas, correm sob o céu azul-noite e a Lua cheia aparece entre as nuvens, soberana. Pesamos na oração de Salammbô:’ O Rabbetna, Baale, Tanit! Anaïtis! Astarté! Derceto!  Astoreth! Mylitta! Athar! Elissa! Tiratha!...’ Eu murmuro;
Casta diva, che inargenti
Queste sacre Antichi piante,
A noi volgi il bel sembiante, 
Senza nube e senza vel.


(Casta deusa, que banhas de prata
esta vegetação antiga e sagrada,
volve para nós o teu belo rosto
sem nuvens e sem véu.)
1994. Um ano Sísifo. Diário de fim de século. Lisboa, Publicações Europa-América, 1998.

“Nossa época hiper-técnica é comandada por um quadrimotor aparentemente puramente material. Mas ele é alimentado por uma hubris onde os mitos providenciais da ciência, da técnica, do progresso, da indústria, do mercado são ativos com os economistas e com os técnicos  da mega-máquina. Existe sempre, por todo o planeta, a força motora dos mitos e das religiões. (...)Mas, contrariamente ao que Bell anunciou em 1950 e que foi quase imediatamente desmentido, nós não podemos entrever o fim das ideologias, ou seja, o fim dos mitos sob a forma de ideologia. O ser humano não pode viver sem  mito e será de novo possuído pelos antigos ou inéditos. Esperemos que eles não sejam utilizados a serviço de novas opressões e de novas mentiras.”

Edgar Morin, O Método. 5. Humanidade da humanidade. A identidade humana.. Paris, Éditions du Seuil, 2001. Tradução livre de Nurimar Falci, 2001. São Paulo.

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