Morin

Paz

“Sexta-feira, 1º de julho de 1994 – Jantar na casa de Véro, com Violette, Irène, amigos da Véro, entre os quais um advogado que se ocupa do tribual internacional para os crimes cometidos na ex – Iuguslávia. (...) Depois a Véro lança conversa sobre os tribunais contra os crimes cometidos na ex – Iuguslávia. Defendo que só a paz pode parar os crimes de guerra e que a paz só pode resultar de compromisso. Se Arafat e Rabin tivessem exigido um e outro o castigo dos assassinos israelitas e palestinos, não teria havido hipótese da libertação da Palestina, etc. Véro não consegue suportar a impunidade. Pessoalmente, sei que a punição não poderá reparar o irreparável e creio ser necessário a magnanimidade, como o fez Mandela.”
1994. Um Ano Sísifo. Diário de fim de século. Publicações Europa – América, 1998, Portugal.

 “Quarta-feira, 13 de dezembro 1995 – A respeito  de um sobre a discussão ‘dos fundamentos religiosos da paz, Changeux, assinala que atualmente as origens de guerra são principalmente religiosas. Eu intervenho duas vezes, uma sobre o fundamento universalista das grandes religiões que implica no entendimento entre os humanos de todas as raças e nações. Como elas são concorrentes nesse universalismo, sua pretensão à verdade absoluta as leva a combater, até mesmo a fazer a guerra, as heresias aumentam as tensões, etc. A segunda vez, depois que Aziza assinalou que, originalmente, djihad significa ‘esforço próprio’, mas que posteriormente transformou-se no sentido de ‘guerra santa’, eu digo que todos os textos sagrados são contraditórios. Podemos ler neles tanto mensagens de abertura, de compreensão e de paz, tanto mensagens de incitações à guerra, e o pior, às eliminações. E isso acontece não somente para Corão mas também para a Biblia e para o Evangelho.”
Chorar, Amar, Rir, Compreender, 1996, Paris, Arléa. Tradução livre de Nurimar Falci, 2001, São Paulo.

“Esta paz, digamos este armistício comigo mesmo (com V.), confirma o outra grande serenidade que tinha começado depois de Autocrítica. Sobre o plano da ‘ideologia’, eu vou como diz Maurice, me tornar um pai tranqüilo depois de ter sido ‘o menino terrível’, Depois das demolições, eu já  começo o alicerce – a nova antropolítica.
O eros, esse, permanece ainda agitado, mas menos demente.”
O vivo do sujeito, Éditions du Seuil, 1969, Paris Tradução livre de Nurimar Falci. São Paulo, 2001.

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