Morin

Racionalidade

(...) ”podemos perguntar: o que é uma vida racional? Não existe nenhum critério racional para definí-la. No limite, pode-se perguntar se comer e viver de modo sadio, não correr riscos, nunca ultrapasssar a dosagem prescrita significam realmente viver, ou melhor, se a via racional não é uma vida demente. Não é loucura pretender erradicar nossa loucura? A vida comporta um mínimo de desperdício, gratuidade, ‘consumação’ (Bataille, desrazão. Castoriadis disse; ‘O homem é este animal louco cuja loucura inventou a razão.
(...) Sejamos um pouco ambivalentes neste domínio. Distinguirei entre racionalidade e racionalização. Elas são oriundas da mesma origem, quer dizer, da necessidade de se ter uma concepção coerente, justificada por uma argumentação fundada na indução e na dedução. A racionalidade pesquisa e verifica a adequação entre o discurso e o objeto do discurso, mas a racionalização se fecha na sua lógica. (...) Os dogmas racionalizadores são os  que se verificam, não em relação à experiência ou aos acontecimentos do mundo real, mas em relação à palavra sacralizada de seus fundadores. Assim, a racionalização se autoconfirma em seus textos sagrados, por exemplo, nos de Marx, Freud, Lacan... A racionalidade, em contrapartida, é aberta. Ela aceita que suas próprias teorias sejam ‘biodegradáveis’, que possam eventualmente ser superadas por argumentos ou acontecimentos que as contradigam. (...)

“ Ser racional não seria, então, compreender os limites da racionalidade e da parte do mistério do mundo? A racionalidade é uma ferramenta maravilhosa, mas há coisas que excedem o espírito humano. A vida é um misto de irracionalidade e racionalidade. Seria necessário aprender, de qualquer modo, a brincar com esta parte irracional de nossas vidas e saber aceitá-las.
Amour poésie sagesse. Bertrand Brasil, 1998.

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