Morin

Sabor

“O que me ensinou minha família? Ensinou-me o Mediterrâneo, o gosto pelo azeite, pela beringela, pelo arroz com feijão branco, pelas almôndegas de cordeiro aromatizadas, pelos salmonetes, pelos folheados de queijo ou de espinafre. Todas estas substâncias e ingredientes incorporados por meus ancestrais na Espanha, na Toscana e na Salônica tornaram-se meus principais alimentos em Paris, onde nasci e cresci.”
Meus Demônios, 1997, Bertrand Brasil.

“Sábado, 1 de janeiro 1994 – (...) Desejando aproveitar o céu azul, vamos passear na Ilha Saint-Louis. Parada na créperie: o bolo folhado de trigo mourisco proporciona-me um sentimento de plenitude, como “a torrada de queijo e ovo” que eu nunca perco em Lausanne. O casamento do trigo e do queijo, respeitando obviamente a especificidade de um e do outro, cria um prazer novo ao qual o ovo traz uma suavidade, uma doçura que sublima o conjunto. Na torrada de queijo, a ausência de trigo é compensada pela crosta crocante do pão. E no bolo folhado, a ausência de crosta é compensado pelo trigo mourisco. Eis duas iguarias perfeitas: a união dos três constituintes elementares revela e transcende simultaneamente o sabor de cada um deles.”
Chorar, amar, rir, Compreender. 1º jan 1995 – 31 jan 1996, Arléa, Paris. Tradução livre de Nurimar Maria Falci, São Paulo, 2001.


              Terça-feira, 7 de março de 1995 – Moscou – (...) Os Arjakovsky me levam em seguida a um restaurante cigano. Os Ciganos têm cada um a sua beleza, seu mistério (...) Bortsch, blinis, caviar, raviolis siberianos, água de baies, vinho da Criméia. Atenção, modere-se! Modere-se”.
Edgar Morin, Chorar, amar, rir, compreender. 1.jan.1995 – 31 jan.1996. Arléa, Paris, 1996. Tradução livre Nurimar Falci, São Paulo, 2001.



             Sexta-feira 20 de outubro de 1995 – (...) Após meio dia, seção de alimentação do Marks&Spencer, onde apreciamos a língua defumada, a carne de boi de Aberdee, os espinafres frescos...mas menos apreciado o chianti. Quanto ao montalcino, eu quebrei sem querer a garrafa. Tudo, aí incluído os legumes, possuem uma data limite de venda e de consumo.
              Portanto nós fazemos algumas compras alimentícias, cujo rioja eu tenho vontade de experimentar. À saída, agitação, multidão. Uma parte da rua Rivoli entre a rua Saint-Martin e a rua Beaubourg está vazia, os CRS impedem  a passagem. Ainda um alerta de bomba.(...)”.
Edgar Morin, Chorar, Amar, Rir, Compreender, 1ºjan.1995 – 31 jan.1996. Arléa, Paris, 1996. Tradução Nurimar Falci, São Paulo, 2001.

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