Morin

Sonho

“Domingo, 13 de fevereiro 1994 – Tenho um sonho recorrente: estou num pais distante, freqüentemente o Japão. No momento de regressar a França ou não encontro o hotel onde estão as minhas bagagens, ou não encontro meu quarto, ou não encontro o dinheiro para pagar a conta, ou não encontro o autocarro ou nenhum táxi para chegar ao aeroporto, etc. Estou prisioneiro, paralisado, longe da minha terra.
Esta manhã, imediatamente antes de acordar, tive o mesmo sonho, na versão do Brasil. Estou em São Paulo e devo fazer uma conferência na Universidade de belo Horizonte. Não sei como ali chegar. Philppe Solers e Monique Cahen conduzem-me a uma vasta gare, colocam-me num cais onde pessoas esperam transporte para não sei que destino. Ph.S. e M.C. desaparecem. Acordo com um mal-estar que não se dissipa com a transformação da realidade do sonho em irrealidade.”
1994, Um ano Sísifo, Diário de fim de Século. 1998, P. Europa-América, Portugal.

“Quarta-feira, 16 de fevereiro 1994 – De madrugada, tive um sonho análogo ao de ontem. Estou no Brasil, no avião da Air France que regressa a Paris. A cabina muito larga, parece-me com um anfiteatro ou uma sala de cinema. A comissária, tal qual uma operária, arruma as pessoas nos seus lugares. Dá o meu lugar a um outro passageiro dizendo que houve um erro. Ela me propõe sair e me conduz a uma espécie de parque onde as árvores escondem o avião.(...) O avião começa a rolar na pista, mas a porta traseira parece estar ainda aberta (...) Eu chego finalmente a um enorme parque de carros de sucata. (...) eu acordo desesperado”.
1994 – Um ano Sísifo. Diário de fim de Século. Tradução livre Nurimar Falci, 2001, São Paulo.

“Quinta-feira, 17 de agosto 1995 – Eu me lembro de um sonho desta noite. Aquele onde Raymond Aron, insensível, vem ao meu encontro, com seu bom sorriso enganador. Eu estou sentando diante da janela. Ele me convida a dar um passeio para aproveitar o sol. Eu lhe digo que eu não vontade de sair. Ele me diz então: Eu venho, por castigo, advertí-lo que eu estou publicando um livro de cento e quarenta e nove páginas contra você. Seu autor demonstra que todo seu pensamento consiste em afastar-se do real”.
Chorar, amar, rir, comprender. 1er jan.1995-31 jan.1996. 1996, Arléa, Paris. Tradução livre Nurimar Falci, 2001, São Paulo.

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