Morin

Sujeito

"Eu sou muito velho para os jovens, muito jovem para os velhos, não totalmente adulto. Como é que eu persisto, subsisto? Somente através das amizades.”
“Entre o polo anarco-subjetivista e o polo hegeliano-objetivista, eu passeio sem parar; sem reposo. Aqui, agora, eu recuso como um diabo escolher uma das duas filosofias, de entrar na alternativa.”
Diário da California, Éditions du Seuil, 1970. Paris. Tradução livre, Nurimar Falci, São Paulo, 2001.

“Essa é uma noção ao mesmo tempo evidente e misteriosa. É uma evidência perfeitamente banal, uma vez que qualquer um diz “Eu”. Quase todas as línguas têm essa primeira pessoa do singular; se não têm  o pronome, tem pelo menos o verbo na primeira pessoa do singular, como em latim. E há uma segunda evidência reflexiva, revelada por Descarte: Não posso duvidar que duvido; logo, eu penso. Se penso, logo, eu sou, isto é, eu existo na primeira pessoa como sujeito. Então surge o mistério: o que é este ‘eu’ e este ‘sou’, que não é simplesmente ‘é”?
(...) É uma realidade fundamental para qualquer tradição filosófica.(...)
De fato nossa mente está divida em dois, conforme olhemos o mundo de modo reflexivo ou compreensivo, ou de modo científico e determinista. O sujeito aparece na reflexão sobre si mesmo e conforme um modo de conhecimento intersubjetivo, de sujeito a sujeito, que podemos chamar de compreensão. Contrariamente, ele desaparece no conhecimento determinista, objetivista, reducionista sobre o homem e a sociedade. De Alguma forma, a ciência expulsou o sujeito das ciências humanas, na medida em que propagou entre elas o princípio determinista e redutor. O sujeito foi expulso da Psicologia, expulso da História, expulso da Sociologia; e, pode-se dizer, o ponto comum às concepções de Althusser, Laca, Lévi-Strauss foi desejo de liquidar o sujeito humano.
Entretanto, entre os pensadores do ser estruturalista, houve uma volta tardia ao sujeito, como em Focault, em Barthes; mas foi uma volta existencial, que acompanhou a volta do eros, a volta da literatura, e não uma volta do sujeito ao âmago da teoria.
O que eu gostaria de propor é uma definição do sujeito, partindo não da afetividade, não do sentimento, mas de uma base bio-lógica.”
A cabeça bem feita, Bertrand Brasil, 2000

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