Morin

Tempo

"Sábado, 1 de Janeiro 1994 – Ao toque das doze badaladas da meia-noite, todos os que festejam a passagem do ano levantam-se, abraçam-se, desejam uns aos outros “bom ano” e o ano velho cai no esquecimento enquanto que da noite se ergue um ano novinho em folha. Como pela primeira vez na minha vida não festejei a passagem, a ausência do grande ritual da meia-noite fez que eu não sentisse a ruptura entre 93 e 94. 93 fundiu-se insensivelmente em 94”.
“(...) As minhas resoluções para 94 mantiveram-se em estado latente durante todo o Outono, chegou o momento de as reformular.
Uma vez mais cheguei aos limites da dispersão, à força de compromissos, de deslocações, de conferências, de colóquios, de artigos, de entrevistas, de inutilidades, de futilidades: perco meu tempo, sacrifico os meus, os meus amigos, perco-me eu mesmo.

Sábado, 31 de dezembro 1994
“E eu? Acabo de ler as minhas resoluções de Janeiro. Que fracasso, que desastre...Eu que tinha sonhado no início de 94, em reformular a minha vida, em encontrar tempo, o meu tempo, viver, encontrar os meus, encontrar os meus amigos, ler, ouvir música...
Que ano de irresoluções também! Nenhum dos meus problemas pessoais foi solucionado. Nenhum dos problemas franceses foi resolvido. Nenhum dos problemas europeus foi resolvido. Nenhum dos problemas mundiais foi resolvido.
Sísifo,  torno a descer montanha abaixo. O ano de 1994 foi também para o planeta um ano sísifo. Tudo deve recomeçar do zero...”
Um ano Sísifo. Diário de fim de século. Publicações Europa-América, Portugal, 1998.
 
Janeiro, 1996. Segunda-feira, 1º Janeiro. Incapaz de tomar resoluções para este novo ano. Eu sei no entanto que eu devo renunciar para bons resultados as curiosidades. Quando eu digo a mim mesmo que eu deveria me direcionar ao essencial, eu me pergunto (como no Le Vif du Sujet), mas onde está o essencial para mim? É ao mesmo tempo, de um lado, a necessidade de concentração, de meditação, de retiro do mundo das aparências, de outro lado, da aderência vital, vivida, aos meus sonhos, aos meus fervores... Certamente, me seria conveniente fazer a ponte entre os dois, entre Nirvana e Samsara... mas não é isso que eu faço bem ou mal?”
Chorar, Amar, Rir, Compreender. 1er. de Janeiro 1995 – 31 janeiro1996. Arléa, Paris. Tradução livre de Nurimar Falci, 2001.

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