Morin
No velocípede, com os pais. (ampliação)

No velocípede, com os pais. (ampliação)

"Esse mundo está condenado ao acaso, a viver do acaso, ele se organiza e se estrutura para suportar o acaso."

1921

Edgar Nahum (que mais tarde adotará o sobrenome “Morin”) nasce em Paris, na madrugada do dia 8 de julho. É o filho único de um casal de judeus sefarditas (descendentes dos judeus expulsos da península ibérica em 1492/1496).

Seu pai, Vidal Nahum, nasceu em 1894 em Salônica (cidade grega, na época sob domínio otomano), tendo depois se naturalizado francês. Sua família (cujo nome em hebraico quer dizer “consolação”) era originária de Livorno (Itália).

Sua mãe, Luna Beressi, sofria de uma grave lesão no coração que a proibia de ter filhos (fato que ocultou ao marido). Edgar viria a ser fruto de uma gravidez que sua mãe não conseguira interromper. O parto se deu em condições dramáticas: o bebê nasceu semimorto, estrangulado pelo cordão umbilical, tendo sido preciso meia hora de esforço médico para que soltasse o primeiro choro.

1931

No dia 26 de junho, falece Luna Nahum. Edgar passa a ser criado pelo pai e Corinne Beressi, irmã mais velha de sua mãe. A perda materna tem forte impacto em sua infância e deixará marcas indeléveis durante toda sua vida. A literatura torna-se sua companheira inseparável : devora avidamente livros dos mais variados temas. Refugia-se na leitura  para não ter que conversar com o pai e demais familiares. Começa a frequentar assiduamente os cinemas da região de Ménilmontant, onde vive, em companhia de seu primo Fredy.

1932

Durante o verão, Edgar é acometido de uma febre aftosa que quase o levaria à morte.

1933 – 1934

Aficcionado de cinema, consome todos os tipos de filmes, especialmente westerns, melodramas, operetas e filmes de aventura. Fascina-se pelas divas Brigitte Helm e Gina Manés. Torna-se um entusiasta de ciclismo e aviação. Lê principalmente romances de ação e aventura que encontra num sebo na rua de Ménilmontant: devora autores como Gustave Aimard, Miguel Zevaco, Paul Feval (pai e filho), Jack London, Alphonse Daudet e Charles Dickens. Descobre as obras de Zola e Balzac. Na 5˚ série da escola, trava suas primeiras discussões políticas, motivadas pelo Caso Stavisky e pela manifestação da Cruz de Fogo.

1935 – 1936

Os romances de Anatole France e “Jean-Christophe”, de Romain Rolland, o ajudam a superar o sentimento de culpa pela morte da mãe. Lê Roger Martin du Gard; fascina-se pelos escritores russos: Tolstoi (“Ressurreição”) e Dostoievski (“Crime e Castigo”, “Possuídos” e “Irmãos Karamazov”). Malraux, Proust e Céline viriam a seguir. Inicia suas primeiras leituras filosóficas: Montaigne, Rousseau, La Rochefoucauld, La Bruyère, Voltaire e Diderot. Na música, impressiona-se pela “Ópera dos Quatro Vinténs” de Kurt Weil, pelas canções negras de Prévert-Kosma (na voz de Marianne Oswald) e, principalmente, pelas sinfonias de Beethoven (“Pastoral” e “Nona”). Sua paixão pelo cinema é aprimorada e passa a  frequentar o Studio 28.

1936 – 1937

A Frente Popular e a Guerra Civil Espanhola impelem Edgar a se reconhecer politicamente. Passa a ler jornais de diversas tendências: L’Éveil des Peuples, L’Unique, SIA (Solidariedade Internacional Anarquista), Le Canard Enchainé e La Fléche. Engaja-se num ato militante em solidariedade aos anarquistas catalães e participa de seu primeiro comício político: uma reunião trotskista no cais de Valmy.

1938 – 1939

No clima tenso que antecede a Segunda Guerra Mundial, Edgar adere aos Estudantes Frentistas, liderados por Gaston Bergery que preconizava um socialismo nacional e rejeição à guerra. Lá, torna-se amigo de Georges Delboy, cujo professor de Filosofia, o comunista Maublanc, o introduz ao marxismo. Em setembro de 1939 Vidal Nahum é convocado e Edgar vai morar com Henriette, irmã de seu pai.

1940 – 1941

É forçado a interromper os preparativos para as provas da Sorbonne quando a França é invadida pelo exército de Hitler. Foje, em julho de 1940, para Toulouse, onde se sente, pela primeira vez, livre do excessivo controle paterno. Dedica seu tempo a atividades assistenciais, como secretário da Associação dos Estudantes Refugiados. Faz amizade com alguns exilados estrangeiros, como o libanês Fouad Kazan e o austríaco Felix Kreisler. Trava contatos com Clara Malraux,– que se surpreende com a sensibilidade e a inteligência do jovem de apenas 19 anos –, Jean Cassou e Vladimir Jankélévitch. Frequenta a Biblioteca Municipal, onde lê com avidez tudo o que encontra sobre sociologia, história, literatura contemporânea, Marx e autores marxistas como Daniel Guérin e Henri Lefebvre.

1941 – 1942

Auxilia o escritor Julien Benda, fazendo anotações de leitura de autores contemporâneos como Paul Valéry, Alain e André Malraux. O escritor o instiga a ler as obras de Hippolyte Taine, Antoine Cournot e Foustel de Coulanges. Segue assiduamente as aulas particulares de Jankélévitch sobre filosofia da existência. Interessa-se cada vez mais pela União Soviética. Toma contato com a obra de Hegel. Participa de ações de grafitagem e de distribuição de panfletos. Impelido pelo amigo Jacques-Francis Rolland, Edgar decide finalmente se filiar ao Partido Comunista, no final de 1941. A invasão da zona sul pelo exército alemão, obrigam os dois amigos a fugirem para Lyon, em julho de 1942, onde passam a dividir um quarto na Casa dos Estudantes e fazem amizade com Victor Henri e Dionys Mascolo. Rolland o leva a descobrir “La Saison en Enfer” (Temporada no Inferno) de  Rimbaud, que se torna o “evangelho” dos jovens ativistas.

1942 – 1944

Cada vez mai envolvido em atividades subversivas, resolve substituir o sobrenome “Nahum” por “Morin”. Vive uma dupla clandestinidade, atuando na Resistência Francesa como militante oculto do Partido Comunista (ou “submarino”, como o chamavam). Acuado pela Gestapo, retorna, no verão de 1943, a Toulouse, onde é acolhido por uma família de operários, os Robène. Organiza sua célula clandestina com a ajuda de “Jean”, marinheiro de Hamburgo que havia combatido na Guerra Civil Espanhola e acabaria sendo preso, torturado e morto pela Gestapo, em Toulouse. Volta para Paris em 1944, onde faz amizade com Marguerite Duras. Participa intensamente das ações da Resistência que culminam na Insurreição de Paris, em agosto de 1944.

1944 – 1946

Após a libertação da França e final da guerra, tenta trabalhar como redator em jornais ligados ao Partido Comunista Francês, como o “Ce Soir” e “Action”. É tratado com desconfiança pelos membros do PCF, por sua postura crítica. Por intermédio do amigo Pierre Le Moigne, resolve se juntar como voluntário ao I Exército francês, na Alemanha.

Em 1945 casa-se em Paris com Violette Chapellaubeau, socióloga, amiga de escola e companheira desde 1941.

Muda-se, com a esposa Violette, para Lindau, onde faz amizade com Romuald, Jacqueline de Jomaron e Georges Lesèvre. Viaja constantantemente a Berlin, onde tem acesso a relatórios de espionagem dos ingleses e americanos. É nomeado tenente-coronel e incorporado ao governo militar da zona francesa de ocupação. Estimulado por Robert Antelme, começa a escrever seu primeiro livro: “L’An Zéro de l’Allemagne” (O Ano Zero da Alemanha), um quadro da Alemanha destruída de 1945-46, no qual rejeita a idéia de uma culpa coletiva do povo alemão pelos horrores do nazismo.

1946 – 1948

Em 1946, dá baixa do exército e retorna, com Violette, a Paris. O casal é hospedado por Marguerite Duras, em seu apartamento da rua Saint-Benoît, habitado também por Robert Antelm e onde Dionys Mascolo passa a maior parte do tempo. O apartamento é palco de discussões acaloradas e encontros notáveis com Albert Camus, Raymond Queneau e Merleau-Ponty.

É contratado pelo Ministério do Trabalho para cuidar de um jornal destinado aos prisoneiros de guerra alemães na França. Perde a função com a saída do ministro comunista Croizat. Torna-se redator do jornal quinzenal “Patriote Résistant” da Federação Nacional dos Deportados Internos Resistentes e Patriotas, controlada pelo PCF. É expulso do jornal após ter sido denunciado como “titista” (partidário de Tito) por Pierre Courtade. Faz free-lances para os jornais “Action” e “Parallèlle 50”.

1948 – 1949

Sem emprego e cada vez mais discriminado no Partido Comunista, Edgar Morin sente-se vivendo num exílio interior. Passa os dias na biblioteca nacional, escrevendo o livro “L’Homme et la Mort” (O Homem e a Morte), que havia proposto a Olga Wormser, diretora da coleção “Na História”, da Editora Corrêa. É na feitura dessa obra que Morin formaria a base de sua cultura transdiciplinar: geografia humana, etnografia, pré-história, psicologia infantil, psicanálise, história das religiões, ciência das mitologias, história das idéias, filosofia, etc. Na pesquisa, descobre as obras antropológicas de Freud, Rank, Ferenczi, Jung, Bataille e Bolk; e a biologia da morte via Metchnikoff, Metalnikov e Carell.

Por causa da gravidez simultânea de Violette e Marguerite, a comunidade da rua Saint-Benoît é forçada a se desfazer. O casal se muda para Vanves, onde vivem com muita dificuldade financeira. Violette dá aulas de filosofia fora de Paris.

Em 1947 nasce Irène, a primeira filha de Edgar e Violette, e em 1948 nasce Veronique, a segunda filha do casal. (Irène Nahum é socióloga, mãe de um filho, e lecionou durante algum tempo na Universidade de Pernambuco no Brasil. Veronique Nahum é antropóloga, professora e pesquisadora no CNRS em Paris. É mãe de dois filhos.)

1950 – 1951

Por sugestão de Georges Friedman, candita-se à comissão de sociologia do CNRS (Centro Nacional de Pesquisa Científica). Com cartas de recomendação de Merleau-Ponty, Pierre Georges e Vladimir Jankélévitch, consegue ser admitido como estagiário de pesquisas.
Aproveita o primeiro ano no CNRS para concluir o livro “L’Homme et la Mort” que seria lançado em 1951. Embora elogiado por intelectuais importantes, como Georges Bataille, Lucien Febvre e Maurice Nadeau, a obra não encontra ressonância no meio acadêmico e cultural.
É excluído do PCF por causa de um artigo publicado no jornal “France Observateur”.

1951 –  1957

No CNRS, escolhe como tema de pesquisa a sociologia do cinema, para dar continuidade à sua investigação sobre “a realidade imaginária do homem”, que havia esboçado em “L’Homme et la Mort”. Seus estudos sócio/antropológicos sobre cinema renderiam dois livros: “O Cinema ou o Homem Imaginário” (1956) e “As Estrelas: Mito e Sedução no Cinema” (1957).

Aproxima-se do movimento Surrealista. Impressiona-se com o livro “La Part  Maudite” (A Parte Maldita) de Georges Bataille. Trava contato com Pierre Naville, e depois, com André Breton e Benjamin Peret.
Cria em 1954, juntamente com o grupo de amigos da rua Saint-Benoît, um Comitê contra a guerra na África do Norte.

Faz amizade com Franco Fortini e Roberto Guiducci, líderes de um grupo de intelectuais de esquerda que publicavam, na Itália, o “Ragionamenti”, um boletim aberto de discussões. Surge a idéia de se fazer algo semelhante na França. Nasce assim, no final de 1956, a revista “Arguments”, dirigida por Morin até o seu último número, em 1962. Colaboraram na publicação François Fejtö, Kosta Axelos, Dionys Mascolos, Duvignaud, Fougeyrollas, Claude Lefort, entre outros.
Descobre, graças sobretudo a Axelos, as obras de Adorno, Marcuse, Horkheimer, Karl Korsch, do jovem Lukács e do Heidegger tardio.

1957 – 1960

Inicia a redação de seu livro “Autocritique” (Autocrítica), publicado em 1959, onde faz um primeiro balanço de sua vida e participação no meio cultural e político de seu tempo. Vive uma crise interior.
É jurado no primeiro Festival dos Povos (mostra de filmes etnográficos e sociológicos) em Florença. Propõe ao diretor Jean Rouch a feitura de um filme sobre o tema “Como  você vive?”.  Mais de 20 horas de filmagem são condensadas num filme de uma hora e meia, que acaba decepcionando Morin e o levando a desistir da idéia de fazer “cinema-verdade”.

1961

Faz uma longa viagem pela América Latina. Após uma temporada no Brasil, ruma para Santiago do Chile, onde frequenta cursos na Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais. Visita a Bolívia, Peru e México. Fascina-se pelo mundo indígena e pelo mundo afro-brasileiro. Retorna a França, onde publica, em 1962, “L’Esprit du Temps” (O Espírito do Tempo).
Durante um congresso mundial de sociologia, em Washington, é acometido por uma forte febre que o leva a um estado de letargia. Fica internado no Mount Sinaï Hospital, em Nova Iorque, para se recuperar. As primeiras palavras que escreve sobre o leito são: “Agora, não é somente importante que as idéias atuem sobre mim, é preciso que eu atue nelas.”

1962

Morin retorna à França, decidido a aproveitar o longo período de convalescença para meditar sobre sua vida e seu pensamento. Isolou-se em Monte Carlo, num apartamento emprestado, onde aprendeu a datilografar escrevendo seu “diário de reemersão”, que viria a ser publicado sete anos mais tarde com o título “Le Vif du Sujet”.
Volta a Paris, onde passa a morar num quarto ligado ao atelier de tapeçaria de uma amiga, na Rue des Blans-Manteaux.
Resolve, com a concordância de seus parceiros, encerrar a publicação da revista “Arguments”.

1963 – 1964

Junta-se a Lefort e Castoriadis no CRESP (Centro de Pesquisas e de Estudos Sociais e Políticos). Aspiram a “um pensamento que pudesse dar conta da invenção, da criação e do sujeito”. Escreve artigos para o jornal “Le Monde”, procurando exercer uma sociologia “do fato imediato”, questionando e deixando-se questionar pelos acontecimentos.

Casa-se com a artista plástica Joahnne, de origem quebecoise-caribenha.
Johanne viaja  com Edgar várias vezes ao Brasil, país pela qual sente profunda admiração e afeição. Extrovertida, costuma organizar reuniões para confraternizar os amigos de Morin.

1965 – 1967

É convidado a participar de um grande projeto de pesquisa multidisciplinar, financiada pela DGRST (Delegação Geral de Pesquisa Científica e Técnica), na comuna de Plozevet. Passa o ano de 1965 pesquisando, com ajuda de diversos colaboradores, vivendo numa rústica cabana, em Poulhan, porto dos pescadores de Plozevet. O resultado das pesquisas levou dois anos para ser redigido e acabou gerando polêmica. A transdisciplinariedade de Morin foi considerada “herética” e fez com que o DGRST lhe aplicasse uma “repreensão científica”.
Com aversão crescente ao meio acadêmico parisiense, passa, cada vez mais, a exercer atividades fora de Paris.

1967

É convidado por Jacques Robin a se tornar membro do “Grupo dos Dez”, onde se aprofunda na biologia e descobre o pensamento cibernético, por intermédio de Henri Laborit e Jacques Sauvan.
Jacques Monod (prêmio Nobel de biologia) pede a Morin que leia os manuscritos de “Le Hasard et la Nécessité” (O Acaso e a Necessidade).

1968

Substitui Henri Lefebvre, na Universidade de Nanterre. Mergulha no meio das revoltas estudantis que começam a eclodir na França. Escreve no “Le Monde”, de 17 a 21 de maio, um primeira série de artigos onde tenta compreender o sentido daquilo que chamou “a comuna estudantil”.
Viaja ao Rio de Janeiro para ministrar um curso na Universidade Cândido Mendes. Retorna apressadamente para acompanhar os acontecimentos na Sorbonne. Publica uma segunda série de artigos no “Le Monde”: “Uma Revolução sem Rosto”. Volta ao Brasil em seguida, onde também sente os reflexos da revolta estudantil em São Paulo, Salvador e Fortaleza, sendo recebido nos aeroportos por delegações de estudantes em greve.

1969 – 1970

Por sugestão de Monod e John Hunt, o Instituto Salk de pesquisas biológicas convida Morin a passar um ano em La Jolla, Califórnia. Lá conhece a revolução biológica genética, iniciada com a descoberta da estrutura em dupla hélice da molécula do AND (Watson e Crick). Inicia-se na “três teorias” que considera interpenetrantes e inseparáveis: a cibernética (Wiener e Bateson), a teoria dos sistemas e a teoria da informação.

Volta a França, via Tóquio, Kyoto, Pnhom Pehn, Angkor Colombo e Kandy.
Em Paris, inicia, com a ajuda de John Hunt e apoio de Monod e François Jacob, a constituição de um Centro internacional de estudos bio-antropológicos e de antropologia fundamental. O centro, instalado na abadia de Royaumont graças a Philippe Daudy, torna-se o Centro Royaumont para as ciências do homem, passando a contar com o apoio do biólogo molecular Massimo Piattelli. Lá serão organizados vários encontros inter e transdisciplinares que culminarão num grande seminário internacional: “L’Unité de l’Homme” (A Unidade do Homem).
Publica o “Journal de Californie” (Diário da Califórnia), onde relata os efervescentes meses que passou na costa oeste americana,  no auge do movimento da contracultura.

1971 – 1973

É iniciado, por Henri Atlan, no pensamento de Heinz von Förster, na teoria da auto-organização e na teoria dos automata auto-reprodutores de Von Neumann. Lê Prigogine, Serres e René Thom. Nesse processo de encontros, reaprendizados e reorganização dos princípios do conhecimento, concebe a idéia de um livro que se chamaria “La Méthode” (O Método).

Desliga-se do Centro Royaumont, por divergências com Monod, passando a direção a Massimo Piatelli. Aproveita uma estadia de três mese em Nova Iorque, para redigir a introdução geral de “La Méthode”. Leituras de Bachelard, Gottard Gunther, Tarsky, Wittgenstein, Popper, Lakatos, Feyerabend e Holton. Introduz-se nos problemas lógicos suscitados pelo teorema de Gödel.
Publica “Le Paradigme Perdu: la Nature de l’Homme” (O Paradigma Perdido: a Natureza do Homem).
Torna-se co-diretor do Centro de Estudos Transdisciplinares (EHESS), cargo que exerceria até 1989.

1974 – 1976

Organiza com Cândido Mendes um colóquio internacional sobre a “Crise do Desenvolvimento”.
Viaja para Toscana, onde se refugia no Castiglioncello de Bolgheri, “um castelo quase arruinado no topo de uma colina”, para redigir o primeiro esboço de “La Méthode”. Hospeda-se, depois, na casa dos Gregory, em Carniol (Haute-Provence), onde termina o primeiro volume de “La Méthode”.

1977 – 1980

Publicação de “La Méthode: La Nature de la Nature”, no qual procura apresentar um conhecimento “enciclopedante” – ao invés de enciclopédico – ou seja, ”que põe em ciclo os conhecimentos dispersos a fim de que façam sentido, ligando-se uns aos outros” e introduz a epistemologia da complexidade.

Passa dois anos em Menerbes e volta a Caldine, onde termina, no verão de 1979, o segundo volume de “La Méthode”: “La Vie de la Vie” (A Vida da Vida), publicado em 1980.
Em Caldine, reencontra Edwiges, que havia conhecido em 1961, no Chile, casando-se com ela posteriormente. Nesse período faz amizade com alguns intelectuais italianos, pesquisadores e professores, que interessados no pensamento proposto por Morin, passam a trabalhar com ele e a divulgá-lo intensamente na Itália.

1981

Publicação de (Jornal de um Livro) e (Para Sair do Século XX).
É agraciado com a Legião de Honra pelo Ministério de Ciência e Tecnologia.

1982

Lança “Science avec Conscience” (Ciência com Consciência), onde destaca os limites, possibilidades e responsabilidades sociais da ciência.

1983

Publica (Da Natureza da URSS: Complexo Totalitário e Novo Império), no qual aprofunda sua análise do comunismo soviético e antecipa o rumo dos acontecimentos na era Gorbatchov: “uma evolução reformadora seguida de desintegração”.

1984

Realização, com J. L. Le Moigne e C. Attias, da coletânea “Ciência e Consciência da Complexidade”. Participa do debate “O Problema Epistemológico da Complexidade” em Lisboa. Em Portugal seu pensamento encontra muita receptividade, principalmente na  área da educação.

1986

Publicação de de “La Méthode: Conanaissance de la Connaissance” (Método: Conhecimento do Conhecimento).

1987

Investiga a identidade e diversidade cultural européia no livro “Pensar a Europa”.

1989

Morin lança, “ Vidal e os seus”, um livro “sobre e para” seu pai, onde também discute a herança judaica.
Neste ano recebe o premio Viareggio Internacional.

1990

Publica “Introdução ao Pensamento Complexo”, no qual procura explicar as idéias desenvolvidas nos três primeiros volumes de “La Méthode”. Em seguida lança o livro “Colóquio de Cerisy”.

1991

Em parceria com Mauro Ceruti e Gianluca Bocchi, publica “Un Novo Começo”. Sai o quarto volume de sua grande obra: “La Méthode: Les Idées”.

1992 –1993

Escreve, com a colaboração da jornalista Anne Brigitte Kern, o livro “Terre-Patrie” (Terra-Pátria).

1994

Publica “Mes Demons” (Meus Demônios), cujo título inicial seria “Je nes suis pas des votres”, no qual faz um balanço de sua vida e trajetória intelectual. É lançada a coletânea de textos “A Complexidade Humana”, reunida e organizada por Morin, com apresentação de Heinz Weinmann.

1995

Lança “Um Ano Sísifo”, que Morin denomina “diário de um fim de século”, com anotações feitas sobre  acontecimentos da sua vida pessoal e pública, ocorridos no ano de 1994. É duramente atacado pelos intelectuais franceses por apresentar nesse diário fatos cotidianos triviais de sua vida privada que se confundem com os fatos e as idéias de âmbito universal  do intelectual propriamente dito.

1996

Publicação de “Os Fratricidas: Iugoslávia-Bósnia 1991-1995”, com discursos que foram transmitidos ao vivo aos grupos antagônicos em guerra na Iugoslávia.
Publicação do diário “Pleurer, aimer, rire, comprende – 1er Janvier.1995 – 31 janvier 9“ ( Chorar, amar, rir, compreender – 1°jan.1995 – 31 jan 96), composto “a partir de anotações sem ligações que se sucedem umas às outras, não pela incapacidade de tornar sua existência coerente mas justamente para deixar claro suas descontinuidades. “
Morin desabafa nesse prefácio : “O leitor talvez se surpreenda de encontrar um homem comum, de contra-imagem, de contra-status, um indivíduo que revela e não dissimula sua subjetividade. Eu dou conscientemente as armas à todos aqueles que querem me superficializar (“Ah! ele ri com os Três Patetas ”, ele gosta do Columbo, dos Star Trek, ele se interessa pelo Derrick – seriado policial da TV alemã – e não por Derrida ; ele nos dá conta dos seus prazeres e desprazeres degustativos, e ele ousa anotar as consequências dos seus excessos gastro-enologicos…”).

Conferências na Universidade Candido Mendes, no Rio de Janeiro ao lado de Baudrillard e Maffesoli.

1997

Publica o livro “Amour, poesie, sagesse” (Amor, poesia, sabedoria) a partir de três conferências realizadas sobre os respectivos temas.
Recebe a condecoração de Oficial da Ordem do Merito, o maior título dado pelo governo espanhol .
É convidado pelo ministro da Educação da França, Claude Allègre, para apresentar um plano de sugestões e propostas, a partir do seu pensamento transdiciplinar, a serem analisadas pelo governo para a reforma do ensino secundário e universitário na França.
Morin prepara e coordena em Paris, em fevereiro desse ano, as Jornadas Temáticas, uma série de encontros com professores e especialistas de várias áreas do saber que se reuniram em Paris para discutir e debater as questões concernentes as disciplinas, ao ensino e à educação.

1998

Morin escolhe o Brasil para realizar o I Congresso Interlatino para o Pensamento Complexo, no Rio de Janeiro (Univesidade Candido Mendes, 08  a 11 de setembro), que contaria com a participação de professores, artistas, escritores e pesquisadores de vários países do mundo.
Lançamento do livro “La tête bien faite”.
Realização do “ Atelier sobre Ética ” no Centro de Estudos Filosóficos da Associação Palas Athena, São Paulo.

1999

Criação da Cátedra Itinerante Unesco/Edgar Morin para o pensamento complexo, com sede na Universidade Salvador, em Buenos Aires (Argentina).
Morin recebe de Portugal a condecoração da Grande Cruz da Ordem de Santiago da Espada.
Viagem à China, onde alguns de seus livros foram traduzidos, e ao Japão, dentre inúmeras outras viagens.
Recebe, no Brasil, o título de doutor honoris causa da Universidade de Natal (RN) e da Universidade de João Pessoa ( PB).
Lançamento do livro “L’ Intelligence de la complexité”, escrito juntamente com Jean Louis LeMoigne.
Conferência, reflexão e debates com os profissionais do SESC São Paulo em São Roque (SP).

2000

Lançamento do livro “Relier les connaissances” a partir das discussões das Jornadas Temáticas.
Recebe o título Honoris Causa da Universidade Católica de Porto Alegre(Brasil).
Lançamento do livro “Os sete saberes para uma educação do futuro ” editado pela Unesco em várias línguas e adotados por vários as proposta de Morin para a educação.
Participação no Sesc de São Paulo do atelier “Dos Demônios:atelier ao vivo do pensamento de Edgar Morin”.

2001

Recebe a Medaille d’Or, Aristote d’Or de l’Unesco e Commandeur de la Légion d’Honneurs.
Lançamento do livro “La méthode V – l’identité humaine. L’ indinteté de l’identité”.
Relançamento com nova  apresentação pelo autor do livro: “Le journal de Plozvet”.
Honoris causa pela Universidade de Milano (Itália) e pela Universidade Tecnológica de La Paz (Bolivia).

Em 08 de Julho de 2001, Morin comemora seus 80 anos. É homenageado pela Unesco, em Paris, sob a patronagem de seu diretor geral Koichiro Matsura e de Jack Lang, ministro da Educação Nacional, como “O Humanista Planetário” (denominação dada por Alain Tourraine).
Viaja à Argentina, Bolívia, Itália e Kosovo.

2002

Morin é nomeado Diretor Emérito ativo  do CNRS, Centro Nacional da Pesquisa Científica.
Fevereiro  e março :Viagens à   Barcelona, Espanha e sul da Itália.

Em abril, é homenageado no Instituto Piaget (Portugal) no evento: “As grandes figuras:  Aristóteles, Camões, Shakespeare e Morin”.